quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Em Nome DELE!

Um grito no escuro,  uma flecha lançada, uma espada quebrada e meu escudo destruído.
Sem força de vontade, nada mais me resta, faça seu dever, cumpra seu papel, seja misericordioso e me deixe trilhar o caminho indolor da morte, me de a chance de rever meus entes queridos, abrevie essa encenação de vida, tenha pena de uma pobre alma que sofre. Vamos meu senhor, empunhe sua espada com ambas as mãos, apenas um golpe certeiro e poderei me recolher ao lado de meus antepassados, me sentar ao lado dos tronos e fazer companhia a reis e condes!
Lutei demais, sangue por todas as partes, todas as noites eu sonhava com aquelas mortes, com aqueles rostos. MAS QUE DIABOS, EU MATAVA EM NOME DE DEUS, O MEU DEUS. Porque agora devo me sacrificar, martirizar por fazer aquilo que julgava correto?
Deus não me abandonou, apenas me abriu os olhos e me fez ver que errei demais, sacrifícios em nome de algo humano, supérfluo, por algo sem sentido.
Ainda recordo daquela criança orando por minha alma e foi aquilo que me despertou. O momento de despertar foi horrível, enxergar minhas mãos impregnadas de sangue, saber que a espada que empunhava tinha tirado vidas inocentes, afinal, todos são inocentes, ate mesmo os infiéis que matei, eles apenas lutavam por algo diferente, possuíam uma fé diferente da minha.
Nos campos de batalha, apenas enxergava as bandeiras sem saber seus significados, cabeça baixa, escudo protegendo meu peito e espada levantada, ao primeiro contado com o inimigo ela descia velozmente, um único golpe e mais um irmão desapareceria da face da terra. A pior parte de tudo era recordar de meus senhores fazendo oferendas a cada vitória, distribuindo despojos a cada cidade invadida. Agora sim posso ver o quão ruim eu fui!
Agora estou sobre a lamina de uma espada, não espero compaixão. Desejo a morte rápida e sem dor, mas pelos olhos de meus inimigos, isso seria apenas um presente para mim.
Algum tempo atrás eu ouvi a palavra fogueira, pelo jeito serei mandado para o inferno com uma pequena amostra do inferno. Mas sendo realista, eu mereço cada tortura.
Cada pessoa que ainda consigo enxergar me recorda alguém que matei nessa cidade, pais, filhos, netos e mães. Transformei-me em um monstro em nome de Um Deus de vingança, agora devo pagar por todos os meus atos.
Espero renascer em uma era onde o Deus seja único!

Que assim seja!

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