Hoje à noite e ontem de manha, tudo é tão simples que ainda
me pergunto o que me detinha!
Tudo o que preciso fazer é quebrar alguns grilhões, derrubar
algumas paredes e socar alguns rostos. Não que seja necessário, mas é essencial
para todo o processo de fuga e fortalecimento de minha alma. Já tenho as chaves
e ao pega-las na mão, me sinto impotente por nunca ter sido capaz de descobrir
o que me detinha. Relembrando todos os
fatos ocorridos, as fugas sem sucesso e todas as surras sofridas, me sinto um
idiota. Era tão fácil.
Bastavam algumas palavras bem ditas, um sorriso cativante e
uma sincera vontade de escapar. Mas fui punido pela minha soberba e orgulho,
achando que seria fácil de convencer a todos de que sou bom, sou o melhor e que
ao sair, todos seriam beneficiados. IDIOTA...
Agora aqui estou parado na frente da porta da minha cela,
apenas isso me impede de ver mais uma vez a luz do sol, sentir o vento no rosto
e olhar o céu azul mais uma vez. Devo ser sincero, sei que não sairei vivo
desse lugar, mas pretendo sentir a vida pulsando pela ultima vez no meu corpo,
não deixarei que me impeçam de viver por míseros instantes que sejam, que sinta
a vida mais uma ultima vez.
“Nunca é tarde para se recomeçar” Espero que essa frase se
aplique a mim e minha existência.
È hora de começar a jogar, boa leitura a todos.
Ouço
barulhos, passos se aproximando... Devem ser eles, meus carrascos que vieram
trazer pela ultima vez minha comida e água. Hoje é o grande dia, o dia
final, nada mais importa pra mim, vão realizar meu ultimo desejo e graças a
isso pude aceitar morrer em paz.
Devo
dizer: sou culpado de tudo o que me acusam.
Mas
ainda sim pude ajudar algumas pessoas. Meu julgamento foi forjado e rápido,
eles necessitavam de um bode expiatório e ali estava eu a disposição, com
pequenos delitos, nada tão grave, mas depois de tantas mentiras lançadas ao meu
redor, tudo era verdade desde então. De porte de drogas a assassinato e
conspiração contra o Estado. Foi tão fácil que ainda me pergunto: “O quanto
vale a honestidade”.
Sinto
o laço do carrasco se apertando em torno do meu pescoço, o capacete da cadeira
sendo ajeitado em minha cabeça, é tudo tão sombrio e mórbido que sequer consigo
raciocinar direito.
Me ressinto por saber
que abraço uma causa perdida não por mim, mas por pessoas sem escrúpulos e
coragem pra aceitar seus erros, pessoas que sempre precisam de alguém para
ajeitar as coisas. No começo era tudo perfeito, o sonho utópico, uma sociedade
igual e honesta, mas durante o processo de organização, descobri o real motivo:
Dinheiro e poder. Eu que julgava meus companheiros e aliados pessoas boas e de
boas intenções, fui traído e vendido por míseros milhões, me impuseram uma
mascara que não pude recusar, agora aqui estou, não sei se será a cadeira ou a
seringa, para mim tanto faz, já passou a pior parte. Agora posso aceitar que
errei e porque errei.
Sinto
o cheiro da grama e uma brisa agradável bate em meu rosto. Que sensação
maravilhosa. Que sentimento de vida que nunca pude ou consegui notar. É ironico em como só no momento em que estou para morrer é que sinto como é viver realmente. Minha vida foi uma ironia do começo ao fim, mas isso é algo desnecessario dizer, não devo ocupar o tempo de vocês com historias chatas e sem final feliz, afinal, todos merecem uma historia feliz ou quase todos.
São
apenas alguns metros que me separam desse mundo horrível. Não acredito em Deus
ou Diabo, mas dessa vez sou obrigado a admitir, Obrigado aos dois pela
oportunidade única e nem tão prazerosa.
Despeço-me
de vocês agora, acabo de descobrir que será a seringa, uma morte rápida e
indolor, assim me disseram os guardas. Espero que realmente o seja, pois desejo descanso da humanidade.
Espero
revê-los no inferno, se este existir!!
Adeus
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