As memórias consomem minhas energias, drenam toda a minha
capacidade de pensar. Meu corpo em pedaços, minha mente em frangalhos e tudo o
que restou foi meus costumes e defeitos.
Devo quebrar minha rotina, destruir esse circulo vicioso,
mas todas as minhas energias são sugadas pelas tristezas passadas. Nada do que
faço me deixa feliz ou satisfeito, devo remodelar minha imagem, reciclar minhas
habilidades e tentar me reinventar.
As memórias me assaltam na madrugada, com imagens vividas e
surreais, tudo é dor em meu corpo, meus olhos transmitem o sofrimento passado,
minha voz emite o horror vivido e em meu corpo as cicatrizes são provas
daquilo que passei.
Os quartos brancos de janelas altas e portas trancadas, sessões
de hipnose intensiva e tudo isso para descobrir o que todos sabiam. Eu
era normal.
Fechado no meu quarto, sem contato com o mundo, esquecendo
gradativamente da minha família, sem espelho e a mínima noção de como era meu
rosto. Menos que um animal!
Todos os dias a mesma tortura até o dia da fuga, desde então,
tenho me escondido de todos, aparento viver normalmente, mas em meu coração eu
sei que eles estão a minha espera com meu quarto arejado e minha cama feita.
Anos se passaram e fui preso pela rotina diária, cercado por
um ciclo vicioso, encarcerado na minha própria ignorância. As memórias retornam
e fazem eu despertar do meu torpor.
Alquebrado de medo, demolido de desanimo, mas dessa vez
desperto...
Eles que apareçam dessa vez, irei dar-lhes mais do que um
mero sorriso!
Que assim seja.
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